Eu não sou Engenheiro

Por João Henrique Aurichio Crema





Em 2002 comecei a cursar Engenharia na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Tinha passado os últimos dois anos do colegial obcecado por obter melhores notas e aprender tudo o que o vestibular exigia.

O colégio onde estudei, o Agostiniano Mendel, estimulava os alunos do colegial a estudarem para suas pesadas semanas de provas bimestrais, com rankings de classificação em cada matéria do boletim em relação à própria turma e em relação ao ranking geral de alunos, que servia para classificar em qual sala cada um faria as provas. Entrei completamente no jogo e me esforçava para me manter sempre na primeira sala, no primeiro lugar da turma e entre os primeiros do ranking geral. Naquela época, a disputa me bastava para dar sentido à vida, sendo a grande meta final a entrada na USP.

Conheci grandes amigos no Mendel que mantenho até hoje, porém, essas metas de disputa e de entrada na Universidade eram tão fortes que deixei de desenvolver outros lados de minha vida. Raramente conversava com amigos fora do colégio, saía pouco, dificilmente pesquisava assuntos não relacionados ao vestibular, e se o fazia, sentia culpa de estar perdendo um tempo precioso que me ajudaria a subir no ranking da escola que me abriria mais um pouco a porta da Universidade.

Fazia uma lista de livros e filmes que poderia ler e assistir quando finalmente passasse no vestibular. Para mim, a Universidade representava a libertação dessa vida que havia sacrificado para entrar numa Universidade pública, com a garantia de um futuro profissional promissor. Saber que estava pronto para o vestibular me confortava, e não aguentava mais esperar para passar.

Não fazia a menor ideia de qual curso escolher. Entrei no colegial pensando em prestar Medicina, mas quando visitei a Faculdade de Medicina da USP e vi cachorros abertos sendo costurados, desmaiei na hora. Medicina era um desafio de se passar no vestibular, não tinha a ver com a minha vocação. Aos 17 anos, essa tal vocação era o mistério mais secreto: não fazia a mínima ideia do que queria como profissão, só sabia que queria passar na FUVEST. Conversei com a orientadora do colegial do Mendel, que me mostrou as profissões no Guia do Estudante, todas classificadas com carinhas. Minhas dúvidas eram tão grandes, que estava entre Economia (triste), Astronomia (triste) ou Cinema ou algo do tipo (não sabia o que era Audiovisual — triste). Ela, uma quarentona de óculos e de cabelos tingidos de loiro, simpática, me disse:

— Olha, João. Você vai muito bem de Exatas. Por que não fazer um curso amplo, com várias possibilidades. Por que não fazer Engenharia?

Ao colocar na página do guia, Engenharia tinha uma radiante carinha feliz. Meu melhor amigo da época também prestaria Engenharia, além de ter o modelo do primo engenheiro com uma bela carreira corporativa. Afinal de contas, ia bem de Exatas (mas sempre me senti mais seguro em Humanas), por que não usar essa capacidade para garantir uma carreira cada vez mais valorizada?

Apaixonei-me pelo campus do Butantã da USP. Fui a festas. Tive algumas paixões uspianas e até remo fiz por um tempo. Mas nunca me senti politécnico, desde a primeira aula, de Física, na qual o professor ficara indignado pela maioria dos estudantes terem chegado à Poli sem o conhecimento de Cálculo Diferencial e Integral. Tirei minha primeira nota vermelha da vida, logo na primeira prova de Álgebra Linear. Percebi que jamais seria um dos primeiros do ranking como era no colegial. Agora só haveria disciplinas de Exatas, tantas que não conseguiria acompanhar.

Na Poli, as semanas de provas marcavam os ciclos das vidas dos alunos. Três semanas de provas por semestre, com pesos gradualmente maiores para que poucos conseguissem fechar as notas antes do fim do semestre. Todos os 750 alunos entravam no ciclo básico e graças a uma média entre a nota da FUVEST e as notas de Engenharia, escolhiam a grande área (Mecânica, Elétrica, Química e Civil) no fim do segundo semestre. E no fim do quarto, a especialização da grande área. Ou seja, a competitividade que me motivava no colegial em busca da libertação universitária, continuava na Universidade. Mas dessa vez o efeito sobre mim foi contrário.

Juro que tentei entender com a profundidade devida todos os conteúdos que me bombardeavam todos os dias na Poli. Gostava muito de ler os textos sobre como os grandes gênios chegaram a descobertas em Matemática, Física, Química, etc. Adorava acompanhar as deduções, entender a sacada genial — existe uma forma de arte muito sutil nas descobertas científicas — porém, isso não interessava tanto nas provas da Poli. Na maioria das vezes eram cobradas aplicações dessas descobertas em malabarismos numéricos para se chegar às respostas de problemas, uma extensão dos malabarismos vazios cobrados no vestibular.

Eram famosas as coletâneas de provas de anos anteriores, vendidas no Xérox do Grêmio. Estudávamos através delas, muitas vezes sem ter a mínima ideia de onde surgiam as fórmulas e técnicas. Essa aplicação alienada, apenas para obtenção de notas em provas, me atormentava profundamente — mas demorei anos para entender isso.

Eram tantas provas; tão grande a pressão por notas; tão vazio o sentido de tudo aquilo, que trapacear era algo natural. Aprender a colar era uma estratégia de sobrevivência fundamental da vida politécnica.

Cola. Escrita sutilmente nas antigas carteiras de madeira maciça escura, com uma passada de leve de borracha para disfarçar. Escrita em papeizinhos de 1/8 de folha A4, escondidos no estojo, no corpo opaco da caneta, no bolso, no meio dos papeis de prova. Escrita no braço, com o risco do suor acabar com tudo. Escrita nas sofisticadas (para a época) calculadoras alfanuméricas HP, nas quais era possível armazenar páginas e mais páginas de texto e fórmulas, além de ser possível programar resoluções completas de modelos de exercícios (por isso eram proibidas em muitas provas). Papéis com resoluções inteiras de exercícios jogados de um estudante para o outro (alguns dividiam que parte da matéria estudar) e o bom e velho cochichar. Tínhamos uma ética própria na arte da cola. Não podíamos negar ao amigo. E jamais poderíamos dedar alguém, sempre encobrindo essas ações de guerrilha contra o ditatorial sistema de provas politécnico.

Coração acelerado ao ler as minúsculas letras no papelzinho e copiar na prova. Tentar aplicar, sentir dificuldade. Ter que sussurrar para alguém perguntando como começar a resolver tal problema. Passos lentos do professor atento a perscrutar a sala. Sensação de alívio ao finalmente resolver o maldito problema e me sentir próximo da aprovação em determinada disciplina. Bastava terminar a prova para todas aquelas fórmulas e técnicas abandonassem a mente.

Em vários momentos pensei em desistir da Poli, mas não fazia a menor ideia de onde iria. Apesar de todas essas dificuldades, meus colegas me davam um forte apoio. Pessoas inteligentíssimas que também buscavam como sobreviver naquela maluquice. A perspectiva profissional como engenheiro era ótima. Grandes oportunidades de emprego, com bons salários nos esperavam lá fora, no mercado de trabalho. Mais uma vez deixei de lado o presente, idealizando o futuro como Engenheiro formado numa das mais respeitadas Universidades da América Latina.

Consegui passar em praticamente todas as disciplinas do primeiro ano. Mesmo com minhas notas baixas, entrei na concorrida grande área Mecânica. Por algum tipo de visão de ficção científica de mundo futuro, cheio de robótica e sistemas automatizados, escolhi Engenharia Mecatrônica como minha especialização. E como estava cansado de ser dependente de meus pais, no fim do terceiro ano, decidi procurar estágio.

Em 2005 comecei o quarto ano na Engenharia Mecatrônica. Na sexta-feira depois da semana do carnaval assisti à primeira aula de Eletrônica Digital com o professor Márcio Ishikawa, um sério japonês de óculos, 40 anos de idade e uma patente insatisfação com o jeitinho politécnico de aprovação nas disciplinas.

— Em minha aula os senhores não proliferarão a mediocridade. Aqui me comprometo ao máximo de atenção e dedicação ao ensino dos senhores, mas exijo também o máximo dos senhores em relação à minha disciplina. Quero que saiam desse curso não só com uma nota, mas com o conhecimento correto de Eletrônica Digital. Concordam?

Todos concordaram, inclusive eu. Ishikawa deu um sorriso, orgulhoso.

— Então temos um compromisso verbal sobre dedicação à disciplina que ministro. Contudo, isso não é suficiente. Proponho um contrato, com regras de direitos e deveres meus e dos alunos. Para tal, quero que os senhores escolham um representante para anotar todas as cláusulas. Imprimo o contrato na semana que vem e todos nós assinamos.

Otávio se voluntariou. Não havia outros concorrentes e confiávamos nele. Era um cara tranquilo que tocava violão e se dedicava à namorada. Otávio anotou as obrigações do professor de sempre ensinar com a máxima qualidade, de estar disponível um dia por semana para dúvidas, etc; e dos alunos, de chegarem no horário, realizarem as listas de exercícios, de manterem disciplina, etc, etc... E de não trapacearem.

Na sexta seguinte todos assinamos o contrato, uma cópia ficou com Ishikawa e outra ficou com Otávio. Mal sabia que aquelas aulas nas tardes de sexta provocariam a maior reviravolta da minha vida, e que aquele papel com regras e assinaturas seria um dos vetores dessa mudança.

Há dois meses tinha iniciado o estágio no Planejamento Estratégico do “Asset Management” do Banco X. Trabalhava de manhã 4 vezes por semana e ia para a Poli à tarde, com a roupa social que me dava um ar mais sério. Um dia, dava carona para o Otávio, que observou como segurava volante.

— Cara, você precisa relaxar mais.

Nunca tinha reparado que segurava o volante com tanta força. Ele até encostou em meus braços para mostrar melhor. Não conseguia segurar naturalmente. Vivi os três primeiros anos de Poli tenso, inseguro, com medo de algo que não conseguia nomear.

Inscrevi-me em processos seletivos de estágios de grandes empresas. Somente trabalhar poderia mudar a rotina politécnica. Teria menos tempo ainda para estudar, mas não ligava, precisava encontrar vida em algum lugar além daquele microcosmo. Tinha certeza de que me sentiria melhor trabalhando em um escritório. A primeira dinâmica de grupo que fiz para uma vaga em área comercial foi desastrosa, mas aprendi rápido, e consegui passar em todas as seis dinâmicas de grupo seguintes. Conseguia me dar muito bem em trabalhos coletivos, característica pouquíssimo aproveitada no colegial e na Poli.

Então escolhi trabalhar no Banco X e comecei muito motivado o estágio. Lia tudo sobre administração e finanças enquanto não conseguia deixar de ler nas horas vagas o “Assim Falou Zaratustra” do Nietzsche. Sempre compensei a leitura técnica com a literária. Com o tempo o tédio passou a imperar no estágio, enquanto as aulas na Poli voltavam. Meus colegas de trabalho, com algumas poucas exceções, eram muito desinteressantes e adoravam fofocar sobre os chefes, o que achava uma estupidez, já que puxavam o saco na presença deles. Não conseguia entender como eles se rebaixavam tanto por pessoas que não admiravam. Projetei meu futuro neles e conclui que não queria uma vida como a de ninguém lá, nem mesmo como a do mais bem sucedido diretor. Um dia um colega de trabalho me viu lendo o “Assim Falou Zaratustra”.

— Esse negócio que você está lendo aí não vai te levar a lugar nenhum.

Cada vez era jogado mais de lado pelos meus chefes. Continuava a trabalhar para manter uma renda que nunca tive, mas jamais poderia vislumbrar um futuro lá. Ficar preso naquele escritório climatizado no topo de um belo prédio comercial me entediava, me cansava, me fazia procurar formas de me libertar enquanto cumpria as horas obrigatórias. Entre o preenchimento de planilhas e relatórios, comecei a usar o tempo que conseguia para voltar a escrever e para fazer pesquisas que me interessavam, especialmente sobre qual seria minha profissão se não fosse engenheiro.

No primeiro dias de aula do quarto ano de Engenharia fui convidado para dar uma aula-trote para os calouros. Mais de 50 alunos numa sala, ansiosos pelo início da Universidade. Eu na frente, vestido com roupa social, e com giz na mão, no limiar da desistência. Apresentei-me como Professor Doutor João Henrique. Coloquei um problema na lousa que resolvi com um sistema de equações diferenciais, assim como o professor de Física fez em minha primeira aula que não era trote. Todos na sala cheios de dúvida. E eu era o que tinha mais dúvidas. Muitos anotavam aquela resolução.

Não dei tempo de copiarem. Apaguei a lousa. Olhei para todos sem dizer uma palavra. Colegas meus da Mecatrônica entravam na sala, riam sentados nas carteiras do fundo. Silêncio total. Queria dizer algo para todos aqueles calouros, mas não conseguia articular. Meus pensamentos voltaram para o início do curso, voltaram mais ainda, para aquele período de liberdade entre o fim do vestibular e o começo da Universidade. Comecei a falar e a escrever sobre o que realmente me fascinava naquela época: relatividade e astronomia. Mas enquanto dava a aula e notava a superficialidade de meu conhecimento, percebi que em todos os anos anteirores nunca tinha me aprofundado naqueles assuntos, e que a Poli só tinha me afastado do prazer que a Ciência me proporcionava. Minha aula-trote durou menos de 40 minutos — era para ter 90. Saí da sala repentinamente, sem me despedir. No corredor ecoava o burburinho dos calouros confusos.

Vazio. Era assim que me sentia em 2005. Fazia tudo por inércia, menos ler sobre assuntos que nada tinham a ver com minha carreira ou escrever textos nos quais tentava compreender os sonhos e toda essa dificuldade de viver. Fazia os cursos chatos e vazios do Banco X: Trabalho em equipe, Influência, Negociação, Comunicação assertiva... — pelo menos garantiam escapadas do trabalho. Na Poli fazia as provas, tirava as notas suficientes de sempre, muitas baseadas em colas.

Na internet do Banco X comecei a pesquisar obsessivamente sobre cursos de Cinema, de Audiovisual. “Por que não corri atrás disso quando estava no colegial?” Queria começar a USP novamente, em um departamento onde me sentisse bem. Cheguei a pensar em Letras, Psicologia e Filosofia, mas o Audiovisual parecia o caminho mais interessante para se transmitir mensagens para muitas pessoas. Seja lá qual mensagem.

Chegou o dia da segunda prova de Eletrônica Digital. Saí mais cedo do curso de Gestão de Pessoas do Banco X, durante o intervalo de café. Dirigi para a Poli para buscar algumas horas de estudo que não tinha conseguido nos dias anteriores. Entrei na sala de estudos da Mecânica, onde outros colegas resolviam exercícios e liam sobre a matéria. Juntei-me a eles. Naquela sexta tudo estava mais pesado e difícil que o normal. Meus colegas diziam que determinadas problemas eram fáceis, mas simplesmente não absorvia. Não tinha ido tão mal na primeira prova, mas sentia que naquele intervalo de tempo tudo havia se apagado da minha memória. Recortei papéis de cola no tradicional tamanho 1/8 de A4 e anotei cegamente algumas fórmulas e modelos de resolução de exercícios importantes da lista. Copiei algumas coisas de meus colegas, que também preparavam suas colas — ninguém pensava no contrato ético que assinamos.

Fui um dos últimos a entrar na sala onde o Professor Ishikawa aguardava ansiosamente com as folhas de questões em mãos. Tinha aberto um largo corredor no meio da sala com suas 50 e poucas carteiras, por onde passaria para evitar qualquer tipo de ilegalidade em sua honrada e difícil prova.

Sentei-me numa das carteiras que havia sobrado na borda do corredor central, bem no meio da fileira. Meus outros colegas pegaram lugares melhores onde poderiam colar e trocar informações com maior facilidade. Ao ler a folha de questões fui dominado pelo desespero. Coração acelerado. “Não sei nada”, pensava enquanto tentava relembrar como fazer os somadores usando operadores lógicos AND, NOT, OR, XOR. Estava perdido numa selva de Unidades Lógicas Aritméticas, multiplexadores e decodificadores.

Ishikawa passava pelo corredor central num intervalo constante. Suor frio escorria pela testa. Meus colegas que poderiam ajudar estavam todos distantes. Sem cola não conseguiria responder questão alguma.

Peguei as folhinhas do bolso, coloquei no meio das folhas de amaço para resolução. Tinha anotado com tamanha falta de conhecimento que não adiantava muito para resolver questão alguma. Meus olhos percorriam as questões, batiam com os títulos dos modelos anotados na cola. Ishikawa passava ao longe, atento. Finalmente consegui encontrar um modelo possível para uma questão na qual mergulhei na resolução. Cheguei a algum resultado. Pelo menos zero não tiraria. Ishikawa adentrou o corredor e estava muito próximo! Rapidamente escondi os papeizinhos de cola no meio das folhas de almaço e fingi ler uma das outras questões com enunciados indecifráveis.

Coração muito acelerado. A mão esquerda, que segurava a folha de questões, tremia. Ishikawa caminhou até a parede do fundo, deu meia-volta. Estava caminhando atrás de mim. Alívio. Comecei a ler outra questão. Havia algo nela que despertava uma remota lembrança de resolução. Quando voltei à folha de almaço de resoluções para respondê-la, percebi uma pontinha minúscula de um dos papeizinhos de cola para fora. Tarde demais. Ishikawa, que estava logo atrás, arrancou todos os papéis de minha carteira. As três folhinhas de cola planaram por um tempo. Ele as pegou no ar. Olhou para mim com absoluto desprezo e disse:

— É, João. A vida não é fácil.

“Não é fácil...”, pensava enquanto guardava minhas coisas na mochila. Levantei-me. “...mas não é impossível”. Os outros colegas de turma continuavam a resolver a prova. Um ou outro me encarou. Caminhei pelo longo, escuro e silencioso corredor do prédio da Mecânica da Poli-USP. Cheguei ao estacionamento. Era uma ensolarada e quente seta-feira de outono. Entrei no carro e apenas uma conclusão era lógica para mim: desistira de Engenharia para fazer Audiovisual.

Naquela mesma sexta-feira, à noite, durante o jantar, revelei a decisão para meus pais, que ficaram chocados, temerosos pelo meu futuro. Tentaram me convencer do contrário. Faltava tão pouco para completar o curso. Minha irmã mais nova, Andressa, que acompanhava tudo o que escrevia, me defendeu. Meu pai, que também lia alguns de meus textos, confiou em minha decisão tão abrupta e pouco justificada. Convenci aos poucos minha mãe de que a Poli não era meu verdadeiro lugar, e que se continuasse naquele caminho, por mais seguro e promissor que o mercado de trabalho fosse, amarguraria uma vida incompleta. Minha família jamais dificultou essa mudança de carreira, e recebi apoio por todos esses anos — sou profundamente grato a eles.

Um poderia comentar sobre a incerteza de sair da Engenharia Mecatrônica no quarto ano e encarar um mundo cheio de dúvidas, especialmente no difícil mercado audiovisual. Outro poderia argumentar que o medo estava em encarar o insuportável término de um curso no qual não tinha identificação alguma, com a mancha da cola no currículo. Só posso dizer que nunca tive tanta certeza de algo. A decisão veio naturalmente. Ao contrário de meus últimos anos politécnicos, não precisava sentir medo. Não havia dilema, havia apenas um caminho. Prestaria o vestibular para o curso no qual intuitivamente sabia ser meu lugar, o Audiovisual na USP. Meus colegas de Mecatrônica me chamaram de louco, mas não queria ficar mais um instante lá. Não queria a vida profissional politécnica e não me interessava pela acadêmica. Otávio esperou um momento de silêncio para me dizer:

— Cara, você precisa de uma namorada.

Não foi fácil voltar à estaca zero acadêmica. Anos depois do fim do colegial, tive que me preocupar novamente com o vestibular.

Recebi um e-mail de Ishikawa marcando reunião em sua sala. Num dia chuvoso, fui para a Poli logo depois do estágio. Na sala de estudos do prédio da Mecânica, resolvia uma prova da FUVEST do ano anterior enquanto esperava a hora para conversar com o professor. Chegou a hora. Esperei até o último minuto para chegar pontualmente à sala dele.

Caminhei pelo corredor escuro e silencioso do prédio da Mecânica. Bati na porta. Fui convidado a entrar. Sala apertada, praticamente sem decoração, cheia de livros, com um computador simples na escrivaninha. Ele me aguardava, sério. Vários papéis em sua mesa. Eu raramente entrava em salas do professores politécnicos, dificilmente tinha contato com eles além da formalidade. Considerava-me um fazedor provas, enquanto eles eram os criadores das mesmas.

— Boa tarde, senhor João Henrique.

Ishikawa consultou os papéis em sua mesa.

— Olha, para início de conversa, gostaria que o senhor confirmasse se essa assinatura é a sua.

Observei o papel: era o contrato ético da disciplina, redigido por Otávio e com todas as assinaturas.

— Sim, é a minha assinatura.

Ishikawa pegou outros papéis, eram listas de presença obrigatórias, que deveriam ser assinadas em todas as aulas para controle e aprovação no sistema de notas. Algumas das assinaturas estavam circuladas em vermelho — ele tinha conferido uma a uma.

— E essa aqui?

Observei a assinatura torta que algum colega gentilmente fizera enquanto estava a caminho da aula, atrasado.

— Não. Alguém assinou por mim. Mas assisti à aula. É difícil chegar pontualmente por causa do estágio.

Ishikawa colocou listas de presença de vários dias sobre a mesa.

— Essa? E essa? E essa?

— Sim. Não. Sim.

De repente Ishikawa colocou sobre a mesa os meus papéis de cola, recolhidos alguns dias antes. Estavam todos com correções e observações em vermelho.

— O senhor poderia me dizer o que é isso?

— Cola.

— Olha, João. O senhor foi desonesto em minha disciplina, contrariou o contrato que assinamos. Eu cumpri minha parte, mas o senhor não. Agora como o senhor acha que deve ser sua punição?

Não tinha paciência para aquela conversa, muito menos para encarar aquele professor. Tinha desistido da Poli e queria sair o mais rápido possível de lá.

— Fico com zero. Vou me esforçar para ir bem na terceira prova, e vou passar.

— Acho difícil acreditar no senhor.

Ishikawa pegou mais um monte de papéis: era o meu histórico da Poli.

— Seus primeiros semestres foram razoavelmente bons, mas do ano passado para cá suas notas ficaram cada vez piores. Quatro dependências no ano passado. O senhor não tem vergonha desse histórico?

— O que você quer que eu diga?

— João, o senhor sabe quanto cada aluno desta escola custa para o governo?

— Não. Muito, não é?

— Sim, muito. O senhor é aluno de uma instituição pública. E uma das mais respeitadas da América Latina. Alunos como o senhor mancham nossa reputação e fazem com que não consigamos competir com as melhores do mundo. O senhor sabe de quanto é o índice de desistência da Poli?

— Uns vinte por cento?

— Trinta por cento! E está aumentando. É um desperdício de dinheiro público gigantesco. João, eu não quero o senhor piorando essa estatística. Já fiz parte da comissão de graduação, e esse índice não pode subir. Não quero que o senhor macule mais ainda a imagem da Poli.

Nunca concordei com o sistema politécnico de ensino e avaliação, mas nunca tinha contestado coisa alguma a alguém de lá. Todos os anos de frustrações que geraram medo e desmotivação se acumularam de tal forma em minha alma que bastava algo forte o suficiente para que finalmente desistisse; e Ishikawa me proporcionou isso. Agora o encarava de frente e não queria me calar mais.

— Imagem da Poli? E todas essas aulas com professores que não ligam para os alunos? E esse sistema de avaliação por provas que estimula a máfia das coletâneas? E esse hábito de colas? Eu odeio colar, me sinto muito mal com isso. Mas sou obrigado por vocês a fazer isso.

— Não venha usar sua mediocridade acadêmica para acusar a instituição. Acadêmicos e profissionais excelentes se formam na Poli. Temos que lidar com as maçãs podres. Alguns alunos têm solução sim.

— Maçã podre? É isso que eu sou? Ter feito esse curso só serviu para acabar com a minha autoestima. Olha, eu sempre fui um bom aluno, sempre amei estudar, sempre quis ir além dessa mediocridade que você fala. O método de ensino daqui não funciona para mim. Alguns alunos vão bem porque eles correm atrás sozinhos e se adaptam ao método com mais facilidade. Essas provas não adiantam para nada. Poderíamos aprender muito mais sem elas. Somos escravos disso.

— É o método que temos, senhor João. E precisamos cumprir as regras estabelecidas. Falta ética em nosso país. Esse jeitinho brasileiro ridículo... Toda essa malandragem que só prolifera a mediocridade. Não há um método melhor para avaliar, especialmente na Politécnica, com tantos alunos. Alunos como o senhor podem sim mudar. Basta terem disciplina, estudarem mais, tirarem boas notas, serem exemplares. O senhor pode provar para mim que não é uma maçã podre, e honrar todo o dinheiro público investido em sua formação.

— Sempre honrei. Dei o melhor de mim e nunca fui aceito. Sei que estou longe de ser um bom aluno, mas sei também todo o esforço, todo o tempo que dediquei à Poli. Não aguento mais me sentir frustrado.

Ishikawa se levantou um pouco da cadeira.

— João Henrique, eu não quero que o senhor desista.

— Não desistirei. Não se preocupe.

Levantei-me sem a conversa ter chegado ao fim. Me dirigi à porta. Ishikawa também se levantou e me acompanhou.

— Em breve comunicarei ao senhor sobre o resultado de nossa reunião.

Despedi-me de Ishikawa e caminhei pelos corredores do prédio da Mecânica. Entrei em algumas salas vazias. Ouvi ecos de aulas passadas. Vi nas carteiras fórmulas de colas rabiscadas a lápis. Ao me aproximar do carro, encontrei Otávio.

— Você sabe que o Rubens também foi pego colando logo depois de você?

Nunca tinha falado com Rubens, mas sabia que era um ótimo aluno, muito melhor que eu. Otávio retomou o assunto.

— Você vai voltar, né?

— Não. Eu não sou engenheiro.

Nunca me sentira tão dono de meu destino quanto naqueles dias de 2005. Marquei provas de bolsas de estudo nos principais cursinhos, enquanto continuava a estagiar no Banco X. Tinha liberdade para ler o que queria, assim como escrever histórias. Não tinha mais todas aquelas preocupações politécnicas que me atormentaram por tanto tempo. Nem lembrava do professor Ishikawa até que, numa manhã, chegou o e-mail com o assunto “Resultado”. Finalmente a reunião final.

Caminhei pelos corredores do prédio da Mecânica até me aproximar da sala de Ishikawa. Rubens, o outro aluno que também foi pego, estava aguardando. Cumprimentei-o. Trocamos rápidas palavras sobre o ocorrido, sobre nosso azar, sobre minha decisão de não continuar na Poli. Ishikawa abriu a porta e me chamou.

— Sente-se, senhor João Henrique.

Ishikawa estava contente com algo. Seus olhos através das lentes cintilavam com as ideias que estava prestes a compartilhar.

— Analisei novamente sua cola, e realmente o senhor não tinha ideia da matéria. Nem se tivesse todo o tempo do mundo para copiar o que está aqui. O senhor estava fadado a ir muito mal.

— Já entendi isso. Sei que mereço o zero. E já prometi me esforçar na terceira prova.

— Não acredito. Tudo em nossa última reunião me fez crer que o senhor desistiria, que contribuiria para as estatísticas que mancham a imagem de nossa escola.

Não tinha medo dele. Encarava-o nos olhos... Mas não conseguia esconder que estava louco para sair da Poli. Não queria aprender Eletrônica Digital ou qualquer outra disciplina daquela faculdade.

— Professor, estou dando a minha palavra. Já conversamos sobre isso. Vou me dedicar e vou conseguir. Por favor, acredite em mim.

— Não, não acredito. O senhor conhece o Rubens, não é?

— Conheço de vista.

Ishikawa colocou outro papelzinho de cola sobre sua mesa. Era a resolução da questão 2 da prova.

— O Rubens, ao contrário do senhor, sabia resolver a prova. Mas o peguei passando isso para alguém que não consegui descobrir.

Rubens passava a resolução para Carla, também estagiária do Banco X e grande amiga dele. Num futuro próximo se tornariam namorados. Ishikawa se levantou e abriu a porta.

— Entre, senhor Rubens, por favor.

Rubens também estranhou aquela situação. Por que Ishikawa conversaria conosco ao mesmo tempo? O professor se sentou.

— Tenho que resolver os problemas dos dois. De um lado, o senhor, João Henrique, que não sabia nada da matéria, tentou trapacear copiando cegamente coisas do livro; e claramente quer desistir do curso. De outro, Rubens, que sabe a matéria, mas trapaceou ao tentar entregar as respostas para alguém. Refleti enquanto praticava minha corrida matinal pelo campus... E finalmente tive uma ideia.

Ishikawa sorriu.

— O senhor, Rubens, vai ajudar o João a passar em minha matéria.

Rubens estranhou, não pensou muito ao responder.

— Claro que ajudo. Sem problemas.

— Acho ótimo alguém me ajudar.

— Mas tem um porém. Quero ter certeza absoluta de que os senhores vão se ajudar. Então pensei na seguinte regra de vinculação de ambos: Se um ficar de recuperação, o outro também fica de recuperação. Se um reprovar direto, o outro também. Portanto, ambos precisam passar em Eletrônica Digital. O que acontece com um obrigatoriamente acontece com o outro.

Encarei Ishikawa enquanto uma torrente de pensamentos fluía como uma turbulenta correnteza. Todos os mais de 3 anos politécnicos atravessavam meu peito, meu cérebro, formando uma corrente que me prendia àquele lugar.

— Isso não é justo, professor! O Rubens não tem culpa do meu erro e da minha ignorância em Eletrônica. Você não pode nos vincular assim! Isso é errado.

— Eu posso ajudar o João sem essa regra. Gosto de ensinar, vai ser bom para mim. Mas assim é demais.

Ishikawa manteve o sorriso no rosto. Nosso desconcerto lhe proporcionava prazer.

— Ou os senhores se vinculam, ou ambos reprovam agora. Os senhores são culpados e essa é a única chance que posso dar. Os senhores assinaram um contrato, não é? O que escolhem? Reprovação ou última chance?

— Última chance — respondemos.

— A partir de agora máxima atenção e tolerância zero. Nunca mais poderão chegar atrasados; a correção das provas dos senhores será especial; e os senhores precisam entregar todas as listas de exercícios da disciplina resolvidas.

Saímos atordoados da sala do professor. No corredor, Rubens me disse:

— Olha, João, sei que você desistiu. Não tem problema se eu tiver que fazer Eletrônica Digital de novo.

Não me sentiria bem em saber que fui o responsável pela reprovação de Rubens, mesmo sendo uma condição criada por Ishikawa.

— Rubens, a gente vai passar. Prometo que vou me esforçar, cara.

Eram muitas listas de exercícios, com páginas e mais páginas de resoluções. Ia para a Poli apenas uma vez por semana, toda a sexta, para assistir à aula do Ishikawa e estudar com o Rubens, fazendo as listas de exercícios. Ia para o estágio no Banco X, e nas horas vagas estudava para o vestibular.

Chegou o dia da prova final de Eletrônica Digital. Não colei e respondi a todas as questões. Tinha estudado e estava relativamente confiante.

Um tempo depois fui à Poli ver as notas no mural. Em ordem alfabética até o meu nome e a decepção do 6 e pouco — longe do 7,5 que precisava. No nome de Rubens, o espaço da nota estava em branco. Ou seja, ele tirou uma nota suficientemente alta para passar, mas graças à regra, ficou de recuperação comigo.

Procurei Rubens numa das aulas da Mecatrônica e o chamei.

— Desculpa, Rubens, fiz de tudo para ir bem. Juro que pensava ter ido melhor.

— O Ishikawa falou que ia dar atenção especial pra nossa correção.

— Você passou com certeza. Senão ele teria colocado sua nota no mural.

— Não tem problema, João. Tentamos. Não deu. Agradeço por você ter se esforçado. Agora você pode sair da Poli tranquilo.

— Cara, eu não vou sair sem passarmos. Quero ir embora com a consciência limpa. Vamos fazer essa prova de recuperação. Confia em mim.

Para a prova de recuperação tínhamos que entregar dezenas de exercícios em dezenas de páginas de resolução. No fim de nossas férias de julho ficamos uma semana resolvendo a lista juntos. Alguns outros colegas também ficaram de recuperação e passamos tardes de exercícios na sala de estudos do prédio da Mecânica. Nos divertíamos nos momentos de folga e aprofundei a amizade com Rubens. Nunca o teria conhecido de outra forma. Um outro colega, Daniel, veio no último dia, fez só alguns exercícios, copiou outros, mas não teve muito tempo. Decidiu deixar assim mesmo. Fizemos todos, menos o último exercício. Não sabíamos resolver. Eu e Rubens deixamos em branco e entregamos no escaninho do professor Ishikawa. A prova era no dia seguinte.

Sentia-me apto a fazer a prova de recuperação, muito mais do que qualquer outra prova. Estudamos juntos de manhã. Na sala de aula esperamos a chegada de Ishikawa. Ele entrou com as provas em mãos. Sentou-se à mesa. Estava particularmente irritado.

— Senhor Daniel, a resolução de sua lista está incompleta. O senhor não pode fazer a prova de recuperação. Saia daqui.

Daniel se levantou tentou argumentar.

— Não adianta me falar nada. Só com a resolução completa da lista o senhor teria o direito de fazer essa prova. Até o ano que vem.

Daniel, irritado, guardou suas coisas. Saiu da sala. O professor olhou em meus olhos.

—João e Rubens, falta o último exercício da lista dos senhores.

Não conseguia acreditar que o esforço seria inútil e que Ishikawa acabaria com tudo assim.

— Mas vou deixar os senhores fazerem a prova.

Enorme alívio.

— Porém, os senhores têm até as dezoito horas de hoje para entregarem a resolução do exercício em meu escaninho.

Passava pouco das catorze horas. Teríamos que correr. Ao receber o caderno da prova tinha certeza de como resolver muitas questões. “Minha última prova na Poli”, pensava enquanto terminava de fazer os diagramas de portas lógicas, os somadores e as conversões de números binários. Entreguei a prova à dezessete horas. Ainda tinha o último exercício da lista antes de tudo acabar.

Corri à biblioteca, onde Rubens já quebrava a cabeça para resolver o exercício — realmente parecia impossível. Minha energia estava esgotada, gastara tudo na prova. Na hora da resolução o vazio politécnico característico imperava — vácuo. Rubens, com toda sua inteligência e força de vontade, se concentrou, encontrou o caminho. Copiei tudo e colocamos no escaninho de Ishikawa.

No dia seguinte uma nota 5 já havia sido colocada no sistema por Ishikawa. Fiquei muito aliviado por Rubens ter passado, e por não ter mais que ir à Poli. Fiquei mais alguns meses no estágio enquanto fazia cursinho no Anglo à noite. Pedi demissão 2 meses antes do vestibular.

Passei em trigésimo quinto lugar no curso de Audiovisual da USP, o último colocado da primeira chamada. Comecei 2006 com enorme vontade de recomeçar, entregando-me inteiramente. Apaixonei-me pelo Audiovisual e encarei o curso de forma oposta à passividade que encarava a Poli. Lógico que também enfrentei problemas, mas me dediquei a aprender tudo o que poderia, sempre pensando em formas de construir algo significativo. Formei-me em 2011. O Audiovisual mudou minha maneira de encarar o mundo. Conheci amigos incríveis que mantenho até hoje e que trabalho junto. Sou membro, com orgulho, de um coletivo de criação. Sinto-me feliz em poder me dedicar integral e sinceramente a algo que acredito.

Apesar de não ter o diploma, sempre serei engenheiro em muitos aspectos. O tempo na Poli moldou minha personalidade e meu pensamento de tal forma que ainda faz parte de mim. Não me arrependo de ter feito Engenharia, só penso que não deveria ter sentido medo por tanto tempo. Uma escolha errada não precisa acabar com uma vida inteira.

Mudar muitas vezes é necessário. Ninguém precisa ter medo ou vergonha por estar no lugar errado na hora errada. É um ato de coragem perceber isso e descobrir o melhor para si mesmo (e, consequentemente, para os outros) ao colocar a vida em outro rumo. Um amigo trocou o Audiovisual pela Poli e se completou, encontrou seu lugar; outro saiu para cursar Medicina. Ter uma vida artificial, que nada tem a ver com a verdade interior é o pior que uma pessoa pode fazer. Se a mudança é necessária, ela deve ser feita, por mais assustador que isso pareça.

Ainda não tive coragem, mas gostaria muito de percorrer os escuros corredores do prédio da Mecânica da Poli e visitar novamente a sala do Professor Ishikawa. Agradeceria por ele ter provocado essa reviravolta tão necessária. Voltaria a conversar de igual para igual sobre a instituição e sobre nossas visões de mundo. Será que ainda não concordaríamos em nada?

Ironicamente, preparo-me para fazer Mestrado. Quero ser professor de alguma disciplina de Audiovisual e até idealizo algumas aulas que darei. Não sei ao certo como será minha didática, mas sei que me esforçarei ao máximo para criar laços e trocar conhecimento com os alunos de forma menos autoritária, mais respeitosa. E tenho certeza de uma coisa: se um dia tiver que aplicar provas, elas poderão ter consulta.

(2012)

*Os nomes da maior parte das pessoas citadas no texto foram alterados.


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